Asplan

ALPB realiza Audiência Pública para debater crise do setor canavieiro

No próximo dia 16, a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) realiza uma Audiência Pública para tratar da grave crise enfrentada pelo setor sucroalcooleiro no estado da Paraíba. O debate será realizado na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), localizado na Rua Rodrigues de Aquino, 267, Centro, em João Pessoa, a partir das 9h. A propositura é do deputado Tovar Correia Lima.
O setor sucroalcooleiro, destaca o parlamentar, desempenha papel estratégico na economia do estado, gerando emprego, renda e movimentando importantes cadeias produtivas, desde os pequenos fornecedores de cana até as indústrias de processamento e logística, mas vive séria crise. “Nos últimos anos, o segmento no Nordeste, especialmente na Paraíba, vem enfrentando uma crise profunda, marcada por fatores combinados que incluem instabilidade climática, elevação dos custos de produção, retração de investimentos, dificuldades de acesso ao crédito rural, entre outros, que foi agravada com o tarifaço dos EUA e o fim da Cota Americana. Diante desse cenário, torna-se imprescindível a realização de uma audiência pública para promover um debate amplo, transparente e participativo sobre a situação atual do setor”, argumenta Tovar.
A Audiência, segundo o deputado, permitirá reunir informações técnicas, ouvir especialistas, analisar os impactos econômicos e sociais e construir propostas de curto, médio e longo prazo para recuperação e fortalecimento da atividade. O presidente da Asplan, José Inácio destacou a importância desta iniciativa. “É preciso buscar saídas para o enfrentamento desta grave crise e esse momento que a ALPB nos proporciona, essa abertura institucional que o poder legislativo estadual está nos dando deve contribuir e fortalecer essa nossa luta para garantir a sobrevivência do setor que responde pela cultura mais importante da Paraíba”, finaliza José Inácio.
Presidente da Asplan, José Inácio, destaca importância do debate sobre a crise do setor
O deputado Tovar Correia Lima é o autor da propositura da audiência pública

Advogado afirma que é preciso fazer um trabalho junto aos sindicatos para divulgar vantagens do PL 715 aos trabalhadores safristas

“Vamos ter que fazer um trabalho enorme junto aos sindicatos para esclarecer e orientar o trabalhador rural safrista que ele não vai perder o Bolsa Família mesmo com a assinatura da carteira de trabalho”, disse nesta quarta-feira (10), o advogado Jeferson Rocha em conversa com produtores canavieiros na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), durante o encontro Agro em Pauta. O advogado referiu-se ao Projeto de Lei (PL 715/2023) aprovado recentemente pelo Senado que visa garantir ao trabalhador safrista o direito de receber benefícios sociais, como o Bolsa Família, mesmo com a assinatura da carteira de trabalho, ao excluir a renda sazonal do cálculo da renda familiar.
Embora essa medida ainda não seja uma lei vigente, porque o texto sofreu alterações no Senado, por isso retornará para nova análise na Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção presidencial e se tornar lei, ela deverá ser aprovada. “É um pleito que dificilmente não será sancionado pelo presidente porque contempla tanto os trabalhadores, quanto os empregadores. Os primeiros porque não serão prejudicados com a perda do benefício ao aceitarem o emprego formal, enquanto que os empregadores resolverão o problema da falta de mão de obra sazonal formalizada”, reitera o advogado.
Jeferson Rocha lembra que o objetivo do novo PL é justamente remover a insegurança jurídica e financeira, incentivando o trabalhador a aceitar empregos formais de curta duração sem o medo de perder o acesso a programas sociais independentemente do limite de renda da Regra de Emancipação. O PL é de autoria do deputado federal Zé Vitor (PL-MG).
Para o presidente da Asplan, José Inácio de Morais, essa iniciativa chega em boa hora. “Esperamos que a Câmara aprove logo a matéria e que o presidente sancione porque estamos vivendo uma escassez de mão de obra formal no campo sem precedentes porque ninguém mais quer assinar carteira para não perder o benefício e a gente fica sem saída porque não pode manter um trabalhador informal. Então essa mudança na legislação resolve esse problema”, finaliza o dirigente canavieiro.
Advogado Jeferson Rocha participou do evento Agro em Pauta, promovido pela Asplan
Advogado Jeferson Rocha e presidente da Asplan, José Inácio

É preciso união e apoio para enfrentar essa grave crise afirma presidente da Asplan

O setor canavieiro do Nordeste atravessa uma das fases mais difíceis de sua história recente, e um dos fatores mais determinantes dessa crise é a redução do preço pago pela matéria-prima, a cana-de-açúcar, cuja desvalorização em relação à safra anterior beira os 40%. E essa desvalorização, que impacta diretamente os produtores tem aprofundado fragilidades econômicas, diminuído a capacidade de investimento e comprometido a sustentabilidade da atividade em diversos estados nordestinos. Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), José Inácio de Morais, o momento pede união. “A luta é muito grande e eu vejo pouca gente chegar junto. É muita crítica, muita cobrança e pouca gente para ajudar. É preciso chegar junto, se unir, porque unidos seremos mais fortes”, disse ele.
Ele lembra que a queda do preço da cana decorre de um conjunto de pressões econômicas, que no Nordeste se agravou com o fim da Cota Americana, a partir do tarifaço dos EUA, provocando um descompasso entre custo de produção e remuneração da cana no Nordeste. “Enquanto os custos locais permanecem elevados, o valor pago pela matéria-prima não acompanha essas despesas, zerando as margens dos produtores. Isso é grave, o momento pede muita luta, perseverança e trabalho”, destaca José Inácio, lembrando que com preços como estão, os fornecedores ficam incapacitados de renovar canaviais, investir em tecnologia, ampliar irrigação ou adotar práticas que poderiam elevar a produtividade. “O envelhecimento dos plantios e a falta de insumos adequados diminuem ainda mais o rendimento agrícola, criando um ciclo negativo que enfraquece toda a cadeia produtiva”, reitera ele.
Vale lembrar que no plano social, a desvalorização da cana contribui para o desemprego rural, o fechamento de propriedades agrícolas e o esvaziamento econômico de municípios que dependem fortemente da atividade. “A reversão desse quadro passa por políticas de valorização do fornecedor, incentivos à irrigação, renegociação de dívidas, apoio técnico e estímulo à produção de etanol e energia renovável. Sem medidas estruturais que recompensem adequadamente a matéria-prima produzida no Nordeste, a tendência é a continuidade do processo de retração do setor”, destaca ele que nesta sexta-feira (12) terá uma audiência junto com industriais do setor com o governador João Azevêdo. “Vamos levar a problemática para o governador e suplicar que ele nos ajude neste enfrentamento da crise”, afirma.
A diretora da Asplan e produtora canavieira, Ana Cláudia, durante o evento Agro em Pauta, realizado nesta quarta-feira (10), na sede da entidade em João Pessoa, reforçou as palavras do presidente. “Quero parabenizar o Sr. José Inácio pela gestão e lembrar que estamos todos passando pela mesma situação e dizer que a gente tem que se unir. Levar nossas lamentações aos nossos colegas, nossos vizinhos, nossos familiares. E a hora é agora. Precisamos nos unir para subir o preço, crescer e vencer e esse espaço de luta é a associação. Temos grandes líderes, grandes pessoas aqui dedicadas e a gente precisa fazer a nossa parte. Não é ficar no celular, não é ficar em casa discutindo um com o outro. É hora de união. Vamos dar as mãos e vamos se empoderar e ir para a luta para vencer. Ocupar os espaços, eu estava dizendo aqui, a gente precisa ir para a imprensa, tem que dar entrevista, ir para o rádio, falar. Tem muita gente que não sabe o que a gente está passando. Não sabem que se a gente quebrar, muita gente vai junto”, finalizou Ana Cláudia.
“Meu filho está terminando o ensino médio em uma escola particular, onde os alunos não sabem que o álcool que colocam no carro, sai da cana-de-açúcar. Então a gente precisa mostrar que a cana é um patrimônio, é cultura, é nossa. É a cachaça, é o álcool que vai no carro”, finalizou ela.
José Inácio, presidente da Asplan
Evento Agro em Pauta realizasdo pela Asplçan debateu temas importantes ligados ao setor canavieiro
A produtora canavieira Ana Claudia lembrou importância da união dos canavieoros neste momento de crise

O setor sucroalcooleiro está sofrendo um dumping financiado por dinheiro público afirma advogado

“O setor sucroalcooleiro está sofrendo um dumping financiado por dinheiro público. Vocês vão ser destruídos pelo álcool de milho, financiado por recursos públicos. O álcool chega dentro do mercado com um custo mais baixo do que o custo de produção da cana-de-açúcar. Esse é um dos elementos que está gerando o tamanho dessa crise, além de outros elementos externos. Mas, o dumping bancado por recursos públicos é o principal fator. É urgente a necessidade de vocês pensarem, como eu já comecei a dizer, de se criar um plano estruturado do desenvolvimento do setor, pensando em curto, médio e longo prazo”. Essa afirmativa do advogado Tarcio Handel, feita durante o Agro em Pauta, promovido pela Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), nesta quarta-feira (10), deixou produtores de cana ainda mais preocupados.
Segundo o advogado, há uma projeção da construção de oito a 10 usinas de beneficiamento de milho para a produção de álcool com recursos subsidiados o que provocará um grande desequilíbrio para as indústrias que operam com a cana. “Se isso for consolidado, é a pá de cal. Junto a isso, nós temos a conjuntura de um governo desequilibrado na sua estrutura financeira, que não tem projeto de Estado, e o único projeto de Estado é tentar fazer política de populismo fiscal, de populismo mais perigoso que possa existir em uma República”, reiterou Handel.
Na opinião do advogado, o Brasil caminha para algo pior. “Em todos os estados do Norte e Nordeste, nós temos mais gente recebendo bolsa-família do que pessoas trabalhando com carteira assinada. Isso é extremamente sério. Por quê? Porque o setor produtivo está sendo destruído. Nós temos uma fuga de empresas e empresários para o Paraguai extremamente perigosa. As organizações Guararapes, de Natal, foi embora produzir no Paraguai. Centenas de empresas estão indo para o Paraguai por causa da simplificação tributária. E nós não temos um caminho direcionado para que nós tenhamos uma possibilidade de uma luz no fim do túnel aqui”, disse Handel.
Ainda segundo ele, além disso os bancos estão puxando as suas garantias para alienação fiduciária, o que não é bom para os negócios. “Historicamente, no Brasil, se constituiu uma narrativa de que eu não posso questionar uma relação com o meu banco. Por quê? Porque eu vou perder a capacidade de ter aquele banco como meu parceiro. Aí você vai perder sua fazenda, você vai perder seu legado, você vai perder sua vida. Porque quem vive o campo, vive de um legado que foi construído por gerações, não é construção, não caiu do céu, é uma construção material que vem por muito tempo. Isso precisa ser percebido e levando em consideração pelo sistema financeiro”, destacou ele.
O advogado lembrou que quando se fala de produção rural, é preciso lembrar que se trata de uma indústria autonômica, a céu aberto, que vive sobre uma intempérie de forças maiores que são impossíveis de serem planejadas. “Vocês, produtores de cana, estão passando por uma crise sem precedentes, você perder R$ 40 por tonelada, nenhum tipo de planejamento viabiliza em médio e longo prazo algo nesse sentido. De um lado você perde a receita da cana. E do outro, você tem uma taxa de juros que nem para você plantar viabiliza a produção. É impossível. A média de custeio agora, atual, dos bancos que efetuam a liberação do crédito rural, está variando entre 17% e 27%. A lei é clara, é 12% no máximo. A lei é clara, você não vai pedir por favor para fazer alongamento de dívida, não. Não é discricionário. Não é opção bancária. É regra. É lei. E precisa ser respeitada e cumprida. Nós precisamos acabar no Brasil que a lei só funciona para o grande, para o menor ela não funciona. Não é assim. Nós temos que ter a coragem de defender nossos interesses”, reforçou Handel.
O brasileiro, segundo ele, é muito passivo. “Nós somos muito permissivos e nós aceitamos aquilo que nos é imposto e aquilo que é nos tirado de forma extremamente dócil. Os últimos anos estão sendo anos terríveis, porque nos estão tirando tudo. Nós temos uma reforma tributária irresponsável. O que é que foi vendido na reforma tributária? Que nós iremos ter uma simplificação tributária. Isso foi a narrativa que foi construída. E na prática, nós vamos entrar em uma navegação sem bússola. 2026 começa já daqui a alguns dias e nós não temos a menor ideia de quanto vai ser essa alíquota de investimento”, argumentou Handel.
“Em um país como o Brasil, que não existe uma relação respeitosa entre o contribuinte e o fisco, você abrir a possibilidade de um imposto como imposto seletivo é você entregar uma arma potente na mão de um indivíduo débil, que pode inclusive se explodir. É você botar uma granada na mão de um macaco que não tem noção do que é aquilo. É isso que nós temos na mesa. É o fim do mundo? Não. A partir do próximo ano, só sobrevive quem tiver a capacidade de se reinventar. Planejamento vai ser o fator fundamental. Não dá mais para fazer a produção a partir de uma relação de amadorismo. Sabe por quê? Porque nós não estamos lidando com um Estado sério, um Estado proponente, um Estado fomentador. Nós estamos lidando com um Estado fiscal extremamente agressivo, que vive em função de si mesmo, que vive em função de sua lógica”, finalizou o advogado.
Advogado Tarcio Handel participou do Agro em Pauta da Asplan
Advogado Tarcio Handel diz que setor sucroalcooleiro está sofrendo dumping

Grave crise do setor canavieiro do Nordeste vai ser levada a Lula durante visita do presidente a Pernambuco nesta terça

Uma das deliberações da audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE), nesta segunda-feira (1), que debateu a grave crise que atinge o setor canavieiro do Nordeste, foi de que a situação requer urgência e deve ser levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Pernambuco nesta terça-feira (2). A entrega de um documento ao presidente, reforçando a necessidade de uma subvenção e outras medidas emergenciais, deve acontecer na cidade de Panelas. Outra deliberação é solicitar apoio da governadora, Raquel Lyra, em forma de subsídio. O encontro foi conduzido pelo presidente da Comissão de Agricultura, deputado Luciano Duque, e convocado a partir de solicitação do deputado Antônio Moraes.
A queda abrupta no preço da matéria-prima, algo em torno de 40%, o aumento nos custos de produção e o fim da Cota Americana, que aumentou as tarifas de importação para os Estados Unidos formam um cenário devastador para o setor que ameaça os milhares de empregos no campo, a redução de divisas e o desmonte de um setor vital para a economia da região. “O setor precisa de socorro imediato. Há 20 anos, o governador Jarbas Vasconcelos, nos deu esse apoio e foi muito importante para superarmos a crise naquela época. Hoje estamos na UTI, na emergência aguda, e é de vital importância que os governos local e nacional ajudem neste momento para superação da crise. E ajudar esse setor significa socorrer o próprio estado, porque isso envolve solução econômica e social”, destacou o consultor da União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA), Gregório Maranhão.
Ele lembrou que a contribuição tributária do setor em Pernambuco é da ordem de R$ 180 milhões e o setor está pleiteando algo em torno de R$ 116 milhões, a título de ajuda do governo estadual, a exemplo do que já foi feito com o Prorenor, que permitiu ao estado de Pernambuco recuperar em três anos quase o dobro do que o governo deu de reembolso para socorrer o setor. “Socorrer o setor neste momento não significa dar esmola ao trabalhador, fornecedor e a usina, significa ajudar o próprio estado, porque nada mais significativo para a economia local que cana-de-açúcar, que não é problema, é sempre solução”, reiterou Gregório.
O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Lima, reforçou a situação de emergência. “O tarifaço dos EUA e também a condição de mercado ocasionou um pico de preço desastroso para o setor, com grandes prejuízos, com uma tonelada sendo paga R$ 129,00, preço do dia 28/11. Com esse valor tem produtor que vai pagar para colocar a cana na usina, nem vai receber e ainda vai ficar no negativo, inviabilizando a atividade. Nenhuma atividade se mantém assim”, disse Alexandre.
Ainda segundo o dirigente da AFCP, a solicitação de ajuda é para manter a atividade que é vital para a economia regional. “Pernambuco já teve 26 milhões de toneladas de cana e hoje está em 13 milhões. O que a gente está reivindicando é algo para manter os empregos, manter os trabalhadores no campo e manter o pagamento de impostos”, destacou Alexandre. “Hoje, pelo preço da cana, o fornecedor está pegando 16 toneladas de cana para comprar uma tonelada de fertilizante. A conta não fecha, é inviável, impraticável”, reiterou ele, lembrando que 92%, dos 10 mil fornecedores de cana de Pernambuco, são da agricultura familiar, que juntos empregam de 70 a 75 mil trabalhadores. Segundo Alexandre, o pleito feito ao Estado emergencialmente será de R$ 116 milhões.
Além do subsídio, outras medidas emergenciais para evitar o colapso da atividade, incluem linhas de crédito específicas para o custeio da próxima safra, mecanismos de apoio às usinas e fornecedores e ações imediatas de mitigação dos efeitos da estiagem. Segundo o deputado Luciano Duque as propostas apresentadas durante a audiência serão reunidas em um documento para ser levado ao presidente Lula e a governadora Raquel Lyra. “Essa cadeia produtiva sustenta milhares de famílias e precisa de respostas imediatas. Nosso dever é transformar esse debate em ações concretas”, disse ele.
O deputado Antônio Moraes, autor da convocação da audiência pública, saiu satisfeito com os debates. “Quero agradecer ao presidente da Comissão de Agricultura, Luciano Duque, pela maneira solícita com que nos atendeu. A nossa ideia foi exatamente a de fazer uma discussão objetiva e tirarmos encaminhamentos que possamos ajudar o setor a enfrentar esse momento”, explicou ele.
O presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, também presente aos debates, enfatizou que defender a bandeira da cana-de-açúcar é defender a própria capacidade de sobrevivência econômica do Estado. “Eu só quero dizer que essa pauta é justa e que vejo aqui uma representação fiel do setor. Lembrar também que o setor primário é a cadeia mais frágil de produção de nosso setor e ela merece um tratamento diferenciado. E nessa hora, não há esquerda, nem direita, temos que juntar forças para advogar e defender a bandeira da cana-de-açúcar é há soluções que não podem demorar, a exemplo da manutenção do ativo biológico, de forma que me associo a essa manifestação e pleito com entusiasmo. Podem contar comigo”, destacou o industrial.
A audiência contou ainda com a participação de Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (SINDAÇÚCAR/PE), de Gerson Carneiro Leão, presidente do Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco (SINDICAPE), além de Jackeline Gadé, secretária executiva da Secretaria de Agricultura do Estado, além de deputados e representantes dos trabalhadores que lotaram o auditório Senador Sérgio Guerra, na manhã desta segunda-feira (1).

Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco
O auditório ficou lotado de trabalhadores rurais
Mesa de autoridades da audiência pública da ALEPE, neste dia 1
Jackeline Gadé, secretária executiva da Secretaria de Agricultura do Estado
Gregório Maranhão lembrou que a situação é gravíssima e as respostas precisam ser urgentes
Empresário Eduardo Monteiro apoia pleito do setor produtivo e disse que é preciso união para superar esse momento
Deputados pernambucanos debateram a crise no setor canavieiro durante audiência pública na manhã desta segunda-feira (1)
Alexandre Lima, da AFCP, e Gregório Maranhão, da UNIDA
Alexandre Lima, da AFCP falou da grave situação do produtor canavieiro

Primeira Reunião Técnica sobre Cana-de-Açúcar debate temas importantes para o setor produtivo canavieiro

A busca por soluções inovadoras e sustentáveis para o setor sucroenergético pautou a Primeira Reunião Técnica sobre Cana-de-Açúcar, realizada nesta terça-feira (25), na sede da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), em João Pessoa. O encontro teve como tema “Resultados e Perspectivas: Inovação e Sustentabilidade no Setor Sucroenergético” e foi promovido pelo Grupo de Estudos em Cana-de-Açúcar (GESUCRO), vinculado ao Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (CCA/UFPB), no campus de Areia, em parceria com a Associação de Plantadores de Cana-de-Açúcar da Paraíba (ASPLAN) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar/PB.
A atividade reuniu produtores, pesquisadores, técnicos, representantes de entidades setoriais e estudantes, criando um ambiente de integração entre academia e setor produtivo. A mesa de abertura do evento foi composta pelo presidente da Asplan, José Inácio de Morais, pelo representante da Reitoria da UFPB, Alberto Germano, pela presidente do Gesucro, Estephany Cardoso, pelo Superintendente do Senar/PB, Sérgio Martins e o professor Manoel Bandeira, do Campus da UFPB de Areia.
Em sua fala, o presidente da Asplan, José Inácio, lembrou da importância da agricultura e da cultura canavieira e de encontros que aproximem o conhecimento científico e a prática agrícola. “Eu fico feliz hoje de ver a universidade integrada a sociedade e prestando um serviço junto ao setor produtivo. A cultura canavieira não é apenas um pilar econômico, é parte da história e do futuro energético do país. E debates como esse, que unem academia e prática produtiva, tornam o setor mais inovador e sustentável. Por isso a Asplan apoia eventos desta natureza”, disse ele, lembrando que o mundo precisa de produção, o Brasil tem onde produzir e é um país privilegiado neste aspecto.
Ao longo do evento foram apresentados estudos sobre o uso de bioinsumos em fundo de sulco na cana-de-açúcar (um estudo feito na Japungu), sobre manejo de adubação, sobre detecção de pragas e aplicação aérea de bioinsumos e ainda sobre efeitos do estresse térmico e da alta radiação na cana-de-açúcar, além das vantagens dautilização de pó de rocha na agricultura, promovendo um espaço de diálogo e atualização sobre as principais inovações e desafios atuais do setor sucroenergético.
“A iniciativa faz parte da articulação de dois projetos de extensão, o primeiro aborda a ‘Cana-de-açúcar: maximizando a produtividade dos produtores rurais com inovação e tecnologias’, fomentado pelo Edital Probex 2024/2025. O segundo projeto integra as ações de extensão do Programa de Pós-graduação em Agronomia do CCA/UFPB, que recebe fomento do Programa PROEX-PG da CAPES. Ambos já estão no seu segundo ano”, explica o José Bruno Malaquias, professor orientador do GESUCRO.
A palestra “Manejo da adubação para formação da safra 26/27”, proferida pelo Professor Doutor Emídio Cantídio, foi uma das que mais despertou interesse nos produtores presentes ao evento. E ele começou a palestra lembrando que a planta bebe nutrientes, que tudo começa com uma boa calagem e que conhecer a fertilidade do solo é de suma importância. “Saber a fertilidade do solo é imprescindível, identificar o PH, os níveis de cálcio, magnésio, alumínio… vocês têm que entender isso para poder equilibrar a nutrição da planta e usar os produtos certos, nos momentos certos”, disse ele. O diretor do DETEC da Asplan, Neto Siqueira, lembrou que esse serviço de análise de solo é realizado sem custo para os associados paraibanos.
Segundo o especialista, a raiz não cresce em profundidade se tiver alumínio alto ou baixo. “Você pode adubar quanto for, mas ela não cresce, não se desenvolve nestas circunstâncias. É fundamental identificar o solo para ter um panorama de avaliação e assim direcionar e definir bem as estratégias, se vai ser calcário, gesso, qual a relação da formulação a ser usada, etc”, reforçou ele, lembrando que a fertilidade do solo impacta diretamente na produção da lavoura. “Se eu tenho um solo arenoso, que não segura água, e eu tenho baixa fertilidade, o impacto na produtividade é extremo”, reiterou ele.
Sobre avaliação de pragas, Dr. Emídio destacou que ainda se avalia muito pouco a questão da Broca Gigante. “A gente ainda olha muito pouco para essa praga. Eu vejo os buracos nos canaviais e digo a vocês que isso faz uma grande diferença. Eu vi áreas se transformar de 55 toneladas e voltar a produzir 60/70 toneladas porque fez controle de Broca Gigante. Aproveita a carona do inseticida para fazer a parte de nutrição. Façam e vejam os resultados”, disse ele.
Sobre erros comumente cometidos relacionados a baixa produtividade, Dr. Emídio fez um lembrete importante sobre a questão relacionada a Fósforo. “Se você fez uma análise de solo e o Fósforo tá baixo, você pode diminuir o Fósforo, mas nunca tirar porque ele é responsável por 57% do crescimento da cana-de-açúcar e sem ele a planta não tem energia para crescer, ela trava o crescimento”, afirmou ele.
O Diretor do DETEC da Asplan, Neto Siqueira, avaliou o evento como muito produtivo. “Tivemos palestras de alto nível, com temas bem pertinentes ao nosso dia a dia, uma plateia seleta, com muitos estudantes que serão o futuro do nosso setor, enfim, foi um encontro muito bom”, finalizou.
Sérgio Martins, Superintendente do SenarPB, participou da abertu0ra dos trabalhos
Representantes da Asplan na plateia do eventol
Professor Doutor Rafhael Beirigo falou sobre as vantagens da aplicação do pó de rocha
Professor Doutor Emídio Cantídio fez a palestra de abertura do eventol
Neto Siqueira (canto), do Detec da Asplan, destacou importância da reunião
Mesa de abertura dos trabalhos do encontro, tendo ao centro o presidente da Asplan, José Inácio
José Inácio destacou importância da cultura canavieira e da união da academia com o setor produtivo
Evento aconteceu no auditório da Asplan, em João Pessoa
Boa parte da pláteia era formada por estudantes do curso de Agronomia
Estephany Cardoso aptresentou estudos feito na Japingu sobre uso de bioinsumos

Grave crise no setor canavieiro do Nordeste é pauta de reunião da Unida

Os associados da União Nordestina dos Produtores de Cana-de-açúcar (Unida) se reuniram nesta terça-feira (25), em transmissão online, para debater a crise que atravessa o setor, com baixos preços pagos pela matéria-prima, chegando a patamares superiores a 33% de defasagem em relação ao mesmo período do ano passado. O presidente da Unida, Pedro Campos Neto conduziu a reunião que contou com a participação de representantes de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe. “Vamos pleitear ajuda dos governos federal e estadual até porque essa crise que nos afeta impacta não apenas no setor, mas em toda a sociedade porque muitos empregos estão em risco. Ajudar o setor a superar esse momento não é uma questão de solidariedade, mas de sobrevivência de um segmento importante para a economia e desenvolvimento do Nordeste”, afirma Pedro Campos Neto.
O dirigente da Unida iniciou o encontro destacando que essa é a pior safra que ele vivencia. “Eu estou na minha 20ª safra e nunca passei por uma situação tão preocupante”, disse Pedro Campos Neto. O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Lima, reforçou o argumento, destacando que a situação é muito grave e o fornecedor de cana está trabalhando com prejuízo. “O que estamos recebendo não cobre nem os custos”, reiterou ele.
O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, destacou a problemática dos fornecedores alagoanos. “Diante desta situação, já nos mobilizamos para junto ao governo estadual buscar soluções que ajudem a minimizar o problema porque sem apoio não conseguiremos superar esse momento sem comprometer seriamente o equilíbrio da atividade e o custeio da próxima safra”, destacou ele que tenta uma audiência com o governador na próxima semana.
Em situação ainda mais complicada, o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Rio Grande do Norte, Hermano Neto, destacou que além do baixo preço pago pela matéria-prima, os pagamentos dos fornecedores já começam a atrasar. “Essa crise afeta toda a cadeia produtiva e acaba prejudicando todo mundo, inclusive com início de atraso nos pagamentos”, destacou ele
O presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), José Inácio de Morais, que planta cana há mais de 40 anos, destaca que a atual situação é uma das mais graves que ele vivenciou. “Estamos com uma diferença de mais deR$ 50,00 na tonelada de cana e precisamos de ajuda para superar esse momento”, afirma ele que sugeriu propor aos governos estaduais uma proposta de crédito presumido. “Isso é algo que já foi feito no passado e pode ser feito novamente”, disse ele, destacando que na PB essa ajuda corresponderia a R$ 35 milhões, o equivalente a R$ 10,00 por tonelada de cana por fornecedor, beneficiando cerca de 1.500 produtores de cana, sendo 90% deles pequenos e micros.
Segundo José Inácio, o plano de salvação do setor precisa ser encarado como prioridade pelos governadores do Nordeste. “Somos o setor que mais emprega no campo, que gera divisas, mas sem apoio, milhares de empregos serão perdidos e a arrecadação reduzida, de forma que ao ajudar o setor, os governos estarão ajudando a eles também”, reforça o dirigente canavieiro, que estará na próxima segunda-feira (1º), em Recife, onde participará de uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco cuja pauta é debater a crise do setor canavieiro do Nordeste. Além disso, José Inácio já encaminhou oficio pleiteando uma audiência com o governador da Paraíba, João Azevêdo para expor a situação.
José Amado, dirigente da associação de Sergipe, também presente a reunião disse que a situação dos produtores locais segue o mesmo patamar dos demais estados produtores de cana da região. “É uma situação difícil para todos nós, um momento seríssimo”, finalizou ele. Em nível federal, a Unida e outras entidades defendem a proposta de emenda à MP 1309, de autoria do senador Efraim Filho (União-PB) e do deputado federal Meira (PL-PE), que propõe o pagamento de uma subvenção econômica deR$ 12,00 por tonelada de cana produzida na região.
Presidente da Unida, Pedro Campos Neto conduziu a reunião desta terça-feira (22)
Participantes da reunião da Unida nesta terça-feira (25)
Presidente da Asplan, José Inácio durante reunião
Presidente da Asplan, José Inácio

Presidente da Asplan solicita audiência com João Azevêdo para expor crise no setor canavieiro e ver como governo pode ajudar

Com perdas superiores a 33% no preço da matéria-prima no acumulado e de 7,30% em relação ao mês anterior, o setor canavieiro do Nordeste, incluindo a Paraíba que é o terceiro maior produtor de cana-de-açúcar da região, passa por uma das maiores crises das últimas duas décadas. E essa situação tem reflexos diretos na maior parte dos produtores de cana da Paraíba, que em sua imensa maioria são pequenos e micros produtores. Diante deste cenário desolador, a Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) já solicitou uma audiência com o governador João Azevêdo para expor a triste realidade dos produtores da maior e mais importante cultura do estado e tentar buscar soluções conjuntas para enfrentar o problema.
O presidente da Asplan, José Inácio de Morais, explica que os baixos preços pagos pela matéria-prima é um reflexo direto da desvalorização internacional do açúcar e do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. “O presidente dos EUA anunciou recuo na taxação, mas esse recuo não atingiu o açúcar e diante deste cenário, vamos apelar ao governador para que o estado nos socorra neste momento de grande crise”, disse o dirigente canavieiro que aguarda agendamento da audiência.
Segundo José Inácio, há várias formas do governo ajudar o setor neste momento. “Há caminhos que podem ser trabalhados para salvaguardar uma cultura importantíssima para a Paraíba, manter os empregos no campo e tirar do sufoco os pequenos e micros produtores que representam mais de 80% de nossa categoria, mas precisamos da ajuda do governo para enfrentarmos esse momento, por isso solicitamos essa audiência com João Azevêdo”, destaca José Inácio. Em Pernambuco, segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, já há uma audiência pública marcada na Assembleia Legislativa para debater a crise, no próximo dia 1º.
Presidente da Asplan, José Inácio pleiteia audiência com o governador João Azevêdo para debater crise no setor

Canasplan chega a segunda edição reforçando o protagonismo da Paraíba no setor produtivo

Com o sucesso da primeira edição, em 2024, a Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) e a União Nordestina dos Produtores de Cana – UNIDA realizam, no dia 19 de dezembro, em João Pessoa, a segunda edição do Canasplan – Destaques do setor. O evento, que reúne produtores, profissionais, convidados e especialistas do segmento, tem o objetivo de debater desafios e oportunidades e reconhecer personalidades que são importantes para o setor e que se destacam em sua área de atuação contribuindo para o desenvolvimento e fortalecimento da cultura canavieira.
Na edição 2025 serão homenageados o presidente da Câmara dos Deputados, Ugo Motta, e os dirigentes canavieiros José Inácio de Morais, atual presidente da Asplan, o segundo vice-presidente da entidade canavieira paraibana, Raimundo Nonato, e o diretor-tesoureiro, Oscar de Gouvêa Barreto. O Canasplan 2025 é voltado para associados, técnicos, pesquisadores, representantes de usinas e autoridades do setor e traz a cada edição anual temas estratégicos para discussão.
Na primeira edição, em 2024, o presidente da Datagro e um dos maiores especialistas do setor Sucroenergético, Dr. Plínio Nastari, fez uma palestra sobre perspectivas do setor. Este ano, o evento traz como palestrante Guilherme Nastari, também da Datagro. O evento é gratuito e direcionado para associados e convidados.
De acordo com o presidente da Asplan, José Inácio, o evento representa uma grande oportunidade de reunir conhecimento e fortalecer o diálogo entre todos os elos do setor, estimulando a inovação e a competitividade da produção canavieira nordestina, além de ser um momento de troca de ideias e fortalecimento dos laços entre todos que integram a cadeia produtiva do Nordeste. “Além de atualizar os participantes sobre tendências do mercado, temas atuais e de interesse do setor, e avanços, o Canasplan busca também valorizar o papel do produtor e fortalecer a representatividade do setor paraibano no cenário regional e nacional e também homenagear personalidades que se destacam tanto na área, quanto no cenário nacional, com ações voltadas para a defesa e desenvolvimento do segmento produtivo”, afirma José Inácio.
Ele lembra que o tema da palestra deste ano foi pensado, justamente, no momento em que está vivendo o setor. “Estamos em meio a uma grande crise, onde o preço da matéria-prima está muito ruim e precisamos entender bem essa questão dos custos de produção para poder, a partir daí, nos planejarmos melhor da porteira para dentro que é onde nós podemos atuar para melhorar os nossos custos porque, infelizmente, não temos poder para modificar as questões de mercado, mas, podemos atuar para melhorar a produtividade e eficácia de nossa produção”, finaliza José Inácio.

Presidente da Asplan, José Inácio lembra que o Canasplan reúne conhecimento e oportunidade de diálogo para o setor
Card do Canasplan 2025

Crise no setor canavieiro do Nordeste chega a patamares preocupantes e entidades de classe clamam por ajuda para superação desse momento

Com perdas superiores a 33% no preço da matéria-prima, reflexo direto da desvalorização internacional do açúcar e do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o Setor da Agroindústria Canavieira do Nordeste passa por uma grave crise que ultrapassa as oscilações normais do segmento. E isso tem forte repercussão no contexto social nesta safra 2025/2026, que está em curso com risco de solução de continuidade para centenas de produtores de cana, várias usinas e milhares de trabalhadores no campo e nas indústrias da região. Para o enfrentamento da crise, o setor está pleiteando ajuda dos governos federal e estadual.
Em Pernambuco, segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Nordeste, já há uma audiência pública marcada para o próximo dia 1º para debater a crise. Na Paraíba, diretores da Associação dos Plantadores de Cana se mobilizam há algum tempo entre viagens à Brasília para buscar apoio de parlamentares na aprovação de uma subvenção de R$ 12,00 por tonelada de cana e já solicitaram audiência com o governador João Azevêdo para expor a situação e discutir soluções que minimizem a situação, principalmente de micro e pequenos produtores que são os que mais sofrem e representam 80% do segmento no estado. Além disso, já entraram em entendimento com deputados estaduais que conhecem o setor para propor um debate público também na ALPB.
“A crise é grande, os produtores não vão conseguir honrar seus pagamentos sem ajuda porque a conta não fecha, estamos sendo remunerados abaixo do que investimos e a continuar assim, o produtor não terá condições nem de adubar sua cana”, afirma o presidente da Asplan, José Inácio. Ele lembra que em 2024, neste mesmo período, o valor da cana era de R$ 175,00 por tonelada e que a projeção para novembro é de R$ 134,31, equivalente ao valor negociado há quatro anos atrás.
Além das tratativas com os governos locais, o setor se articula no Congresso para incluir na Medida Provisória 1.309, que instituiu o Plano Brasil Soberano, o auxílio emergencial, a título de equalização, de R$ 12,00 por tonelada. “Esse valor não acaba a crise, mas ameniza a situação do produtor que, na atual conjuntura, é, de fato, desesperadora. Imagine você investir para produzir uma tonelada de cana e receber muito menos do que você investiu. É isso que está acontecendo”, reitera José Inácio.
O Consultor do setor, Gregório Maranhão, confirma que essa é a maior crise do segmento em duas décadas e afirma que qualquer ajuda que o estado venha a colocar à disposição do setor, é um investimento no próprio estado. “É fundamental conscientizar os gestores públicos no plano federal e estadual, que o gesto de socorro atendendo o clamor das lideranças agroindustriais canavieiras do Nordeste não é favor, é investimento na região mais carente do Brasil, na cultura mais expressiva do Nordeste, a que mais emprega no campo. E repetindo o jargão do pedido de socorro à cana-de-açúcar nordestina é preciso lembrar que “se tá ruim com cana, muito pior sem ela”, para governo e governados”, finaliza Gregório.

Presidente da Asplan, José Inácio, alerta sobre a crise e reforça necessidade de ajuda para o setor
O valor pago pela matéria-prima está muito abaixo dos custos de produção
Produtores estão preocupados com o preço da tonelada de cana