Unida
Fabricantes chineses avaliam colhedora de cana em operação na Paraíba e em Pernambuco
Técnicos e empresários chineses da FM WORLD realizaram, nesta terça-feira (14), uma visita técnica ao Engenho Boa Vista, em Itambé (PE) para acompanhar de perto o desempenho da colhedora de cana 4GD-1 em condições reais de campo. A agenda teve como objetivo avaliar a performance do equipamento e identificar melhorias que possam ampliar sua eficiência, especialmente na realidade do Nordeste.
A atividade ocorreu na propriedade do presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana-de-Açúcar (Unida), Pedro Campos Neto, que adquiriu a máquina neste ano por meio da empresa FC Trading. Durante a visita, os fabricantes observaram a operação da colhedora e trocaram experiências com produtores e técnicos sobre os desafios da mecanização da colheita de cana na região.
Pedro Campos Neto destacou a importância da presença dos fabricantes no campo, acompanhando de perto o uso do equipamento. “É uma máquina que já tem trazido avanços importantes, principalmente na eficiência da colheita. Essa iniciativa dos fabricantes, de virem até aqui para entender nossa realidade e buscar melhorias, é fundamental. Mostra o compromisso em adaptar o equipamento às nossas reais necessidades”, afirmou.
O presidente da Unida também ressaltou que a mecanização tem papel estratégico diante de um problema crescente no setor. “A falta de mão de obra no campo é uma realidade cada vez mais forte. Equipamentos como esse ajudam a superar essa dificuldade, garantindo mais produtividade e segurança nas operações. É uma solução que resolve gargalos históricos da colheita de cana no Nordeste”, completou.
Além da visita em Pernambuco, a comitiva também esteve na Paraíba, ampliando a análise do desempenho da colhedora em diferentes condições de cultivo, e visitou ainda a Usina Monte Alegre, em Mamanguape (PB), que também adquiriu o equipamento. A agenda reforça o intercâmbio tecnológico entre Brasil e China e evidencia o avanço da mecanização no setor sucroenergético nordestino, com foco em inovação, eficiência e adaptação às demandas locais.








Presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool diz que aumento da mistura de etanol na gasolina é uma medida estratégica e oportuna
O governo federal estuda a possibilidade de ampliar a mistura de etanol anidro na gasolina, passando dos atuais 30% para 32%. A proposta, em análise no âmbito do Ministério de Minas e Energia (MME), integra as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro e busca reduzir a exposição do mercado interno à volatilidade dos preços internacionais dos combustíveis fósseis. De acordo com o presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da União Nordestina dos Plantadores de Cana (Unida), Pedro Campos Neto, a possível elevação da mistura pode contribuir para equilibrar o mercado. “Essa decisão, é estratégica e oportuna para o setor sucroenergético”, afirma.
Pedro Campos Neto destaca que a discussão ocorre em um momento considerado importante para o setor sucroenergético, que projeta aumento expressivo na produção de etanol na próxima safra. “Diante de uma perspectiva de safra, com aumento de produção de etanol em cerca de 4 bilhões de litros, tanto da cana quanto do milho, é preciso encontrar espaço para destinar esse volume. Esse aumento da mistura deve chegar na hora certa para acomodar esse mercado e também para ajudar a enfrentar à volatilidade dos preços internacionais do petróleo”, reitera.
Caso seja autorizada, a nova composição — tecnicamente chamada de E32 — poderá ser implementada ainda no primeiro semestre deste ano, dando continuidade ao escalonamento iniciado em 2025, quando o percentual subiu de 27,5% para 30%. A legislação vigente permite que a mistura chegue a até 35%, desde que haja comprovação de viabilidade técnica por meio de estudos.
A possível elevação da mistura, segundo Pedro Campos Neto, pode contribuir para equilibrar o mercado e projetar positivamente o Brasil. “Além de favorecer o escoamento da produção, a medida em estudo também está alinhada à política de transição energética, ao ampliar a participação de biocombustíveis na matriz nacional e reduzir a emissão de poluentes. O Brasil já é referência global no uso de etanol e, com a possível ampliação da mistura, pode avançar ainda mais na consolidação de uma matriz energética mais limpa e sustentável”, afirma.
Debates sobre jornada de trabalho, mercado e inovação marcam reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, em Brasília
A reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária, realizada nesta quarta-feira (18), em Brasília, reuniu representantes do setor produtivo, entidades e especialistas para discutir temas estratégicos que impactam diretamente a cadeia sucroenergética. O encontro foi conduzido pelo presidente da Câmara, Pedro Campos Neto.
Entre os principais pontos debatidos, ganhou destaque a preocupação do setor com propostas de mudança na jornada de trabalho em tramitação no Congresso Nacional. De acordo com os participantes, há movimentações para pautar ainda este ano projetos que tratam da redução da carga horária, incluindo a chamada PEC 221, que prevê jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta, que já reúne diferentes iniciativas legislativas sobre o tema, preocupa especialmente produtores do Nordeste. Segundo representantes do setor, a eventual constitucionalização de um novo modelo de jornada pode engessar as relações de trabalho e dificultar a adaptação às realidades regionais.
“Uma mudança impositiva na Constituição retira a capacidade de negociação dos setores. No campo, já enfrentamos escassez de mão de obra e, em muitos casos, dificuldade de contratação devido à manutenção de benefícios sociais. A combinação desses fatores pode gerar um cenário crítico”, alertou o advogado da CNA, Rodrigo Alves Costa. Outro ponto levantado foi a incerteza quanto ao instrumento legal que será adotado — se por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ou projeto de lei — além da falta de clareza sobre o conteúdo final a ser votado.
Além das questões trabalhistas, a reunião abordou desafios de mercado, especialmente no segmento de etanol. Representantes do setor alertaram para o descompasso entre o crescimento da produção — impulsionado, sobretudo, pelo etanol de milho — e a demanda ainda insuficiente para absorver esse volume, o que tem pressionado preços e margens. Por outro lado, foi ressaltado o potencial de expansão do etanol como alternativa energética global, inclusive com boas perspectivas no setor marítimo, com destaque para iniciativas internacionais de descarbonização e uso de combustíveis renováveis. O etanol brasileiro foi apontado como uma das opções mais viáveis e sustentáveis nesse cenário.
A reunião também abriu espaço para a apresentação de iniciativas de inovação, como o programa “Cana Mais”, da Embrapa, que pretende fortalecer a pesquisa, ampliar a produtividade e aproximar o setor produtivo das soluções tecnológicas. Também foi apresentado dados das safras na região Centro/Sul, que até a segunda quinzena de janeiro, mostrou a produção de açúcar se mantendo crescente e a produção de etanol em decréscimo, e uma safra com estimativa de 635 milhões de toneladas de cana. Abordou-se também a safra do Nordeste que tem atravessado momentos difíceis desde o ano passado, com redução em quase todos os estados e, principalmente, com relação a queda nos preços.
Ao final, ficou evidente que o setor atravessa um momento de grandes desafios, que envolvem desde questões regulatórias e trabalhistas até a necessidade de expansão de mercados e ganhos de eficiência. A avaliação geral dos participantes é de que o acompanhamento permanente dessas pautas e a articulação institucional serão decisivos para garantir a sustentabilidade da atividade.
Na avaliação do presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária, Pedro Campos Neto, a reunião foi produtiva e estratégica diante dos desafios enfrentados pelo setor. “Debatemos sobre temas sensíveis, como as propostas de mudança na jornada de trabalho, o cenário do mercado de etanol e as perspectivas de inovação. O setor vive um momento que exige atenção redobrada e essas pautas podem alterar significativamente a nossa realidade. E a Câmara cumpre um papel essencial de integração, permitindo que possamos alinhar posições, antecipar desafios e buscar soluções conjuntas para garantir a sustentabilidade do setor”, finalizou.







