Valor agregado da cana-de-açúcar deve pautar próximas discussões do setor sucroenergético afirma presidente da Asplan

Durante décadas, os principais debates da cadeia sucroenergética estiveram concentrados na produtividade agrícola e no Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que baliza a remuneração da matéria-prima e influencia diretamente a relação entre produtores e indústrias. Embora essas discussões continuem relevantes, especialistas e lideranças do setor já apontam para uma nova agenda estratégica: o reconhecimento do valor agregado gerado pela cana-de-açúcar além do ATR. Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), José Inácio de Morais, esse debate é legítimo e acompanha uma reivindicação histórica dos produtores canavieiros. “Os produtores sempre reconheceram a importância dos investimentos realizados pela indústria em tecnologia, certificações, logística e inovação. No entanto, é preciso lembrar que toda essa cadeia de valor continua tendo origem na cana-de-açúcar produzida no campo”, diz.
O dirigente canavieiro lembra que a evolução tecnológica e a diversificação das atividades industriais transformaram a cana em uma matéria-prima capaz de gerar muito mais do que açúcar e etanol. “Atualmente, a cultura também está na origem da produção de energia elétrica a partir da biomassa, biogás, biometano, combustíveis renováveis e créditos ambientais, ampliando significativamente as oportunidades econômicas da cadeia produtiva”, reitera.
Nesse novo cenário, segundo José Inácio, ganha força uma reflexão sobre como os benefícios gerados por essas novas fontes de receita são reconhecidos e distribuídos entre os diferentes elos do setor. A discussão não se limita à produção agrícola ou à transformação industrial, mas alcança aspectos relacionados à participação dos agentes econômicos na construção do valor gerado pela cana. “O reconhecimento do valor agregado da cana, para além do ATR, é uma pauta antiga dos fornecedores e ganha ainda mais relevância diante das novas oportunidades econômicas que surgem com a bioenergia, o biogás, o biometano e os créditos ambientais”, afirmou.
A maturidade do setor, de acordo com José Inácio, exige a construção de mecanismos que considerem a evolução do mercado e permitam uma análise mais ampla sobre a geração de riqueza ao longo da cadeia produtiva. “Não se trata de discutir quem tem mais mérito, mas de buscar instrumentos modernos que reconheçam adequadamente o valor, os investimentos e os riscos assumidos por cada elo desta cadeia. À medida que a cana passa a gerar novos produtos e novas receitas, é natural que os produtores defendam uma participação mais alinhada com essa realidade. Essa é uma discussão estratégica para o futuro da atividade e para a sustentabilidade econômica de toda a cadeia sucroenergética”, finalizou.
Presidente da Asplan, José Inácio, destaca importância de reconhecer o valor agregado da matéria-prima fornecida às indústrias
O valor agregado da cana-de-açúcar ocupa lugar de destaque nos debates sobre o setor produtivo
Posted on: 17/06/2026administrador