Durante encontro com ministro da agricultura Pedro Campos Neto destaca união do setor na conquista da subvenção para os produtores do NE
A celebração da conquista da subvenção de R$ 12 por tonelada de cana fornecida na safra 2025/2026 teve, nesta segunda-feira (31), em João Pessoa, um significado especial para os produtores paraibanos: o reconhecimento de que a união do setor e a força do diálogo foram fundamentais para transformar uma reivindicação em uma importante política de apoio à atividade. O presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Pedro Campos Neto recepcionou o ministro da Agricultura, André de Paula, o presidente da Conab, Silvio Porto e o presidente da Câmara, Hugo Motta, destacando o protagonismo das entidades de classe na mobilização da subvenção e classificou o momento como de gratidão. “Pedir foi necessário, lutar foi fundamental e, diante da conquista, agradecer é mais do que justo e por isso estamos aqui”, afirmou Pedro Neto.
Segundo ele, a mobilização ganhou ainda mais força diante dos impactos provocados pelo tarifaço dos Estados Unidos, que atingiu uma atividade que já vinha enfrentando dificuldades com preços baixos e aumento dos custos de produção. “O Nordeste se uniu em favor dessa causa. Foram inúmeras reuniões, articulações e contatos realizados em Brasília para sensibilizar o Governo Federal sobre a grave situação enfrentada pelos produtores que foram totalmente atingidos pelo tarifaço”, ressaltou. Ele explicou que o valor de R$ 12 por tonelada não foi estabelecido de forma aleatória. A quantia teve como referência o impacto da tarifa norte-americana sobre o preço da cana. “Por que não pedir R$ 30, R$ 40 ou R$ 50, se o prejuízo nessa última safra foi em torno disso? Mas, era preciso ter argumento concretos para pedir. Os R$ 12 foram baseados no tarifaço americano”, explicou.
Ao destacar os responsáveis pela construção da medida, o presidente da Unida fez questão de reconhecer o empenho do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do ministro da Agricultura, André de Paula, além do trabalho desenvolvido pelo presidente da Conab, Silvio Porto. Pedro Neto lembrou que a interlocução com as autoridades foi marcada pela disponibilidade e pelo compromisso com a causa dos produtores. “Eu aperreei muito o presidente da Câmara, que por sua vez, acionou o ministro André. Eu próprio liguei demais, não tinha hora, mas ele sempre esteve disponível. Quando não atendia, sempre retornava para a gente”, relatou, referindo-se a Hugo Motta.
O mesmo reconhecimento foi feito ao ministro André de Paula, que, segundo Pedro Neto, manteve as portas do Ministério da Agricultura abertas para as entidades. “A gente sempre foi bem recepcionado. As portas do Ministério estavam sempre abertas para nós”, afirmou. A atuação de Silvio Porto também foi ressaltada pelo dirigente. À frente da Conab, ele vem conduzindo os procedimentos necessários para regulamentar e operacionalizar o pagamento da subvenção. Pedro Neto destacou ainda o trabalho das equipes estaduais das associações, responsáveis pelo cadastramento e orientação dos produtores.
Para o presidente da Unida, um dos maiores legados dessa conquista é justamente a demonstração de que os estados nordestinos podem avançar quando atuam de forma integrada. “Essa luta foi travada de forma coletiva, com as associações juntas e coesas com o mesmo objetivo de demonstrar a realidade dos produtores de cana, a necessidade que eles tinham de pedir ajudar e a justiça deste pleito da subvenção”, enfatizou.
O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou que a subvenção é uma resposta concreta do Governo Federal a um setor que enfrenta um momento de grandes desafios. “Essa é a mão do governo Lula que se estende a quem produz cana no Nordeste, num momento de desafio”, declarou. O ministro ressaltou a relevância econômica e social da cana para a região e afirmou que o agro não deve ser dividido por posições políticas. “O agro não é vermelho nem azul. O agro não é do governo nem da oposição. O agro é o orgulho do Brasil. É o sustento desse país”, afirmou. André de Paula também reconheceu a importância da articulação feita pelas entidades e defendeu que o benefício chegue rapidamente aos produtores que mais precisam.
O presidente da Conab, Silvio Porto, ressaltou o esforço do Governo Federal para viabilizar a subvenção e o trabalho desenvolvido pelas entidades para garantir o cadastramento dos produtores. Ele explicou que a Conab acelerou os procedimentos, inclusive mobilizando sua área de tecnologia, para adaptar o sistema e permitir que os pagamentos sejam realizados com a maior brevidade possível.
A subvenção, instituída pela Medida Provisória nº 1.374, representa um aporte de até R$ 270 milhões e beneficiará produtores nordestinos que comercializaram cana no período estabelecido pelo programa. São 17 mil no Nordeste, 1400 na Paraíba. Para Pedro Neto, o recurso chega em um momento decisivo, como um importante reforço para que os produtores possam atravessar um cenário ainda desafiador.

















