Dib Nunes Júnior destaca força e transformação tecnológica do setor sucroenergético durante seminário da STAB, em Recife

O presidente e fundador do Grupo IDEA, Dib Nunes Júnior, ministrou nesta terça-feira (19), em Recife, a palestra de abertura do 27º Seminário Regional sobre Cana-de-Açúcar, promovido pela STAB Regional Setentrional, na sede da AFCP. Ele discorreu sobre o tema “Um overview sobre o setor sucroenergético do Brasil e suas novas tecnologias”. Em uma apresentação marcada por análises técnicas e econômicas, Dib destacou a dimensão estratégica do setor sucroenergético brasileiro no cenário mundial, ressaltando a capacidade de produção, exportação e inovação tecnológica da cadeia produtiva da cana-de-açúcar.
Segundo ele, o Brasil deverá colher cerca de 675 milhões de toneladas de cana nesta safra, mantendo uma estrutura sólida mesmo diante das crises enfrentadas ao longo das últimas décadas. “Esse patrimônio não se desfez apesar de tudo o que já aconteceu no setor. Nós temos 9,1 milhões de hectares de área colhida e somos responsáveis por 59% das exportações mundiais de açúcar. Esse número só cresce porque a população mundial cresce e consome mais. E apenas o Brasil tem condições de atender esse aumento da demanda”, afirmou.
Dib destacou ainda a relevância econômica da atividade para o país. De acordo com ele, mesmo em um ano de preços internacionais considerados baixos, o setor gerou cerca de 14 bilhões de dólares em exportações. “Se o preço dessa commodity estivesse melhor, teríamos faturado algo em torno de 18 bilhões de dólares. Isso mostra a pujança do setor. Quem precisa de açúcar no mundo tem que comprar do Brasil”, ressaltou.
O especialista também enfatizou a força do mercado interno de etanol, lembrando que o país possui uma frota flex correspondente a 77% dos veículos de passeio e mais de 45 mil postos de abastecimento, fatores que garantem competitividade e capacidade de absorção da produção nacional. Outro ponto destacado foi a flexibilidade industrial das usinas brasileiras, capazes de direcionar até 65% da cana tanto para produção de açúcar quanto de etanol, conforme as condições de mercado.
Durante a palestra, Dib Nunes Júnior reforçou que o setor vive uma profunda transformação tecnológica, impulsionada pela automação, inovação e qualificação da mão de obra. “Hoje não se consegue administrar uma indústria sucroenergética sem especialização. Tudo está sendo automatizado e novas tecnologias estão transformando a gestão das empresas”, afirmou. Ele também chamou atenção para o potencial crescente da biomassa da cana-de-açúcar e dos chamados produtos do futuro, como etanol de segunda geração, biometano, biogás, plásticos biodegradáveis e aproveitamento industrial do bagaço. “O bagaço vai virar ouro. Há usos extraordinários surgindo para a fibra da cana. O etanol 2G, o biometano, o biogás e os materiais biodegradáveis são caminhos sem volta”, destacou.
Outro aspecto enfatizado foi a sustentabilidade ambiental do setor. Segundo Dib, a cadeia sucroenergética brasileira é referência em preservação ambiental, reaproveitamento de resíduos orgânicos e uso racional do solo. “Nós sequestramos carbono, reaproveitamos resíduos, preservamos mananciais e fazemos uso racional da terra. Hoje, poucas atividades têm o nível de sustentabilidade que o setor sucroenergético possui”, afirmou.
Apesar dos avanços e oportunidades, o fundador do Grupo IDEA alertou para os desafios enfrentados atualmente pela atividade, especialmente relacionados à queda da produtividade agrícola, juros elevados, alto endividamento das empresas e dificuldade de acesso ao crédito. Ele apresentou dados mostrando que a produtividade média brasileira caiu nos últimos 15 anos, reduzindo cerca de 12 toneladas por hectare em comparação aos melhores períodos históricos. “Quanto menor a produtividade, maior o custo de produção. E hoje o setor precisa urgentemente recuperar competitividade”, alertou.
Segundo Dib, muitas usinas seguem operando sob forte pressão financeira, agravada pelos juros altos e pelos reflexos de políticas públicas adotadas em anos anteriores. Ao encerrar a palestra, o especialista defendeu que o caminho para superar os desafios passa obrigatoriamente pelo aumento da produtividade, gestão eficiente e adoção de novas tecnologias. “Como enfrentamos o aumento dos custos? Com tecnologia, produtividade, gestão e competitividade. Esse é o caminho para manter o setor forte e sustentável”, concluiu.
Integrantes do painel de abertura do seminário (1)
Evento da Stab é realizado na sede da AFCP, em Recife (1)
Djalma Euzébio, presidente da Stab Regional Setentrional (1)
O presidente e fundador do Grupo IDEA, Dib Nunes Júnior, fez a palestrta de abertura
Posted on: 19/05/2026administrador