Déficit mundial de açúcar e aumento da demanda por etanol renovam expectativas para o setor sucroenergético avalia presidente da UNIDA
O presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA), Pedro Campos Neto, fez nesta segunda-feira (3) uma análise do cenário nacional e internacional do setor sucroenergético, destacando acontecimentos da última semana que podem influenciar o mercado da cana-de-açúcar nos próximos meses. Apesar de reconhecer que o segmento atravessa um dos momentos mais difíceis dos últimos anos, ele afirmou que alguns indicadores começam a sinalizar perspectivas mais favoráveis para o setor.
Entre os destaques está a projeção divulgada pela consultoria Stone X, que aponta para um possível déficit global na produção de açúcar, cenário que não era registrado há vários anos. “Essa notícia acende uma luz no fim do túnel para o setor sucroenergético. Ainda enfrentamos um momento extremamente desafiador, mas começam a surgir fatores que podem contribuir para uma recuperação gradual do mercado”, afirmou Pedro.
Outro fato considerado importante foi o início da vigência, em 1º de agosto, do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 30% para 32%. Segundo o presidente da UNIDA, a medida deve ampliar o consumo do biocombustível em aproximadamente um bilhão de litros, fortalecendo a demanda pelo produto.
Pedro Campos Neto também chamou atenção para os impactos das condições climáticas na safra do Centro-Sul do país. De acordo com informações do setor, temporais registrados recentemente no interior de São Paulo atingiram entre 30 mil e 40 mil hectares de canaviais. Embora ainda não exista uma estimativa consolidada dos prejuízos, a expectativa é de reflexos na produção paulista. Além disso, as chuvas frequentes em São Paulo e Minas Gerais podem comprometer a qualidade da matéria-prima. Segundo ele, a umidade elevada reduz o teor de Açúcar Total Recuperável (ATR), diminuindo a eficiência industrial e impactando tanto a produção de açúcar quanto de etanol.
Mesmo com esse cenário, o dirigente acredita que os fundamentos do mercado podem favorecer uma recuperação a partir do início de 2027. “Na minha avaliação, o Nordeste poderá sentir uma recuperação dos preços do açúcar na metade da próxima safra. Existem diversos fatores internacionais convergindo para isso, como a perspectiva de déficit mundial, os impactos climáticos em importantes regiões produtoras e o comportamento da produção brasileira”, explicou. Ele ressaltou que, enquanto os preços internacionais e o mercado externo fogem ao controle dos produtores, é fundamental concentrar esforços na gestão eficiente das propriedades. “O que depende de nós é da porteira para dentro. Precisamos buscar eficiência, mecanizar sempre que possível, reduzir custos com diesel, energia e otimizar os processos produtivos. É hora de fazer o básico muito bem feito para atravessar esse período”, afirmou.
Pedro também observou que o calor intenso na Europa tende a afetar a produção de beterraba açucareira, enquanto a redução das monções na Índia pode comprometer a produção naquele país. Ao mesmo tempo, o excesso de chuvas no Centro-Sul brasileiro deve comprometer a qualidade da cana baixando o ATR, produzindo menos açúcar e menos etanol. Segundo ele, atualmente o mix de produção das usinas do Centro-Sul está em torno de 55% voltado para o etanol, demonstrando que, neste momento, o biocombustível apresenta melhor remuneração do que o açúcar.
