Asplan participa de painel do Projeto Campo Futuro e reforça importância do planejamento para enfrentar aumento dos custos na produção de cana

A Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) participou, nesta terça-feira (28), na sede da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa/Senar), em João Pessoa, do Painel João Pessoa do Projeto Campo Futuro, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), desenvolvida em parceria com o Pecege Consultoria e Projetos. O encontro reuniu produtores rurais, representantes do setor e técnicos para atualizar os custos de produção da cana-de-açúcar no estado e discutir os desafios que impactam a competitividade da atividade.

A apresentação dos resultados foi conduzida por Eduarda Lee, assessora técnica da CNA, e Lorena Luna, analista do Pecege Consultoria e Projetos, que coordenaram o levantamento técnico e econômico realizado com a participação dos produtores e da equipe técnica da Asplan. Durante o painel, foi caracterizada a propriedade modal da Paraíba, representada por uma área de 100 hectares próprios, com plantio realizado integralmente de forma manual. A produtividade média da safra 2025/2026 foi estimada em 58 toneladas por hectare, com matéria-prima apresentando 127 quilos de ATR por tonelada de cana moída. O estudo também apontou que a maior parte das operações mecanizadas é realizada com maquinário próprio, demonstrando o nível de mecanização empregado pelos produtores da região.

A maior parte dos indicadores técnicos permaneceu inalterados em relação ao levantamento anterior. Entretanto, do ponto de vista econômico, os resultados evidenciaram um cenário mais desafiador. O aumento dos custos de produção, especialmente com fertilizantes e diesel, reduziu significativamente as margens de rentabilidade da atividade.

Embora a receita média obtida na safra tenha sido suficiente para cobrir os Custos Operacionais Efetivos (COE), gerando margem bruta positiva, ela não alcançou os níveis necessários para cobrir os Custos Operacionais Totais (COT) e o Custo Total (CT), refletindo o estreitamento da rentabilidade dos produtores.

Para o diretor do Departamento Técnico (Detec) da Asplan, Neto Siqueira, os números apresentados confirmam uma realidade que vem sendo acompanhada de perto pela entidade e sentida pelos seus associados. “A competitividade da canavicultura paraibana tem sido bastante afetada. Além da instabilidade dos preços do açúcar, do etanol e dos insumos, os produtores vêm enfrentando sucessivas intempéries climáticas, como períodos prolongados de estiagem e chuvas irregulares, que comprometem a produtividade dos canaviais. Soma-se a isso o aumento dos custos de produção, principalmente com fertilizantes, combustíveis e mão de obra, reduzindo ainda mais a margem de rentabilidade. Mesmo com investimentos em eficiência, muitos produtores encontram dificuldades para manter sua competitividade”, destacou.

Segundo ele, o cenário exige cada vez mais planejamento e gestão baseada em informações confiáveis. “O produtor precisa tomar decisões apoiadas em dados técnicos, econômicos e climáticos. É fundamental acompanhar os custos de produção, as previsões meteorológicas e as tendências de mercado para definir investimentos, renovar áreas apenas quando necessário e adotar tecnologias que aumentem a resistência dos canaviais aos efeitos do clima. Hoje, o planejamento deixou de ser uma opção para se tornar uma ferramenta indispensável na redução de riscos e na sustentabilidade da atividade”, afirmou.

Neto Siqueira também ressaltou que o fortalecimento da cultura dependerá de uma atuação conjunta entre produtores, entidades representativas e poder público. “A produção de cana continua sendo uma das principais atividades econômicas da Paraíba, gerando emprego, renda e desenvolvimento para centenas de municípios. No entanto, será necessário ampliar os investimentos em irrigação, tecnologia, renovação dos canaviais e acesso ao crédito rural, além da criação de políticas públicas que ofereçam maior segurança aos produtores diante dos eventos climáticos extremos. Com esse conjunto de ações, o setor terá condições de recuperar sua capacidade de crescimento e fortalecer ainda mais sua contribuição para a economia paraibana”, enfatizou.

Para Neto, iniciativas como o Projeto Campo Futuro são fundamentais para fornecer informações estratégicas ao setor produtivo e fortalecer a defesa dos interesses dos fornecedores de cana. “Conhecer detalhadamente os custos de produção é essencial para que os produtores possam planejar suas atividades e para que as entidades representativas tenham dados consistentes na defesa de políticas públicas e de medidas que assegurem maior competitividade ao setor. A Asplan participa desse trabalho porque acredita que informação técnica de qualidade é um instrumento decisivo para o fortalecimento da cultura canavieira paraibana”, afirmou.

Os dados levantados durante o painel passam a integrar a base nacional do Projeto Campo Futuro, permitindo o acompanhamento da evolução dos custos de produção da cana-de-açúcar e subsidiando produtores, entidades representativas e gestores públicos na formulação de estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável do setor sucroenergético.

 

A apresentação dos resultados foi conduzida por Eduarda Lee, assessora técnica da CNA, e Lorena Luna, analista do Pecege Consultoria
Apresentação dos dados aconteceu na sede da Faepa/Senar em João Pessoa
Diretor Técnico da Asplan, Neto Siqueira
Equipe da Asplan participou da apresentação em João Pessoa
Levantamento foi apresentado nesta terça-feira (28), em João Pessoa
Neto Siqueira, diretor da Asplan, destacou importância do levantamento
Representantes da Asplan, Pecege e Faepa/Senar

 

Posted on: 29/07/2026administrador