Crise econômica fecha cinco empresas de ônibus no Rio de Janeiro

A atual crise econômica do país tem atingido bem mais intensamente o setor de transporte coletivo urbano do que se pode supor. Tarifas defasadas, trânsito que compromete as viagens, poucos corredores exclusivos, aumento de insumos e de folha de pessoal somado a perca crescente de passageiros são fatores que estão levando muitas empresas a encerrarem suas atividades. Na última segunda-feira (26), a Algarve, do Rio de Janeiro, uma empresa com mais de 100 ônibus e 500 funcionários, decidiu pelo fechamento apesar do recente reajuste no preço da passagem que saiu de R$ 3,40 para R$ 3,80. Segundo comunicado da empresa,  os custos operacionais superiores à receita, não permitiu o equilíbrio econômico-financeiro necessário para continuidade das atividades.

A Algarve é a quinta empresa de ônibus do Rio de Janeiro que fecha as portas num intervalo de um ano. Translitorânea, Rio Rotas, Andorinha e Top Rio também não operam mais como empresa de transporte. “No imaginário popular, ainda resiste uma  ideia deturpada de que as empresas de transporte coletivo “nadam em dinheiro”, sem a percepção de que na absoluta maioria das cidades brasileiras todo o custo operacional (despesas com óleo diesel, pessoal, encargos sociais, impostos etc) é bancado tão somente com as passagens pagas pelos passageiros. Com tarifas defasadas, menos passageiros transportados, aumento de insumos e sem subsídios governamentais, não há empresa que consiga manter o equilíbrio”, afirma o diretor institucional do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de João Pessoa (Sintur-JP), Mário Tourinho.

Ainda segundo Mário, outro equivoco sobre as empresas de ônibus é pensar que as gratuidades por lei garantidas a alguns segmentos sejam custeadas pelo governo federal, governo estadual ou governo municipal. “São poucas as cidades brasileiras que subsidiam e isentam os impostos em relação ao transporte coletivo urbano.E como tem faltado uma priorização ao transporte coletivo com a garantia de infraestrutura e incentivo seja por subsídio seja por isenções tributárias, o setor chegou também a um ponto tão crítico que até em cidades como o Rio de Janeiro, cuja passagem está em R$ 3,80, essas cinco empresas já fecharem suas portas em menos de um ano”, destaca Mário.

No meio de tamanha crise no setor, especula-se que mais aumento no preço do óleo diesel estaria para acontecer a partir de 1º de fevereiro. Segundo Mário, a única forma de dar sustentabilidade ao setor é o subsídio governamental, como já vem sendo feito – por exemplo – na cidade de São Paulo em que a tarifa total é de R$ 5,17 mas os passageiros pagam R$ 3,80 e o governo banca a diferença de R$ 1,37. “A situação é crítica e não estamos exagerando”, finaliza o executivo do Sintur-JP.

Postado em: 27/01/2016, Por : Andrea Castro

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