O ano deverá ser difícil até para o agronegócio

Juros altos, pouco crédito e clima adverso são

algumas das projeções de especialistas para 2016

            A expectativa do mercado é que após meia década surfando em boas ondas, o agronegócio no Brasil poderá passar por turbulências neste ano. O setor, segundo especialistas, provavelmente não sentirá os efeitos do agravamento da recessão como os demais segmentos da economia formal, mas o produtor que não fizer ajustes em gastos e levar as contas na ponta do lápis pode passar por maus momentos. “2016 será um ano de cautela, de pouca ousadia e menores investimentos”, reforça o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso.

O cenário mudou radicalmente para o agronegócio e as influências não vêm só das incertezas políticas e econômicas que afetam o País, mas também do exterior. Os preços das principais commodities estão em queda em dólar e uma reversão desse cenário não é provável, a menos que ainda haja uma catástrofe na safra 2015/16 da América do Sul.

Crédito caro e escasso e clima adverso completam a lista dos problemas que geram uma grande indefinição para o setor, principalmente para a safra 2016/17. Fábio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados, estima crescimento entre 8% e 9% para a receita no campo em 2016. Para o PIB do agronegócio, a expectativa é de crescimento de 2% em 2016, ante 2,2% em 2015. Um crescimento entre 2% e 2,5% também é esperado pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).

As condições de financiamento, em baixa e com juros altos demais, segundo especialistas também devem ser o principal desafio a ser enfrentado pelos produtores brasileiros ao longo de 2016. “Quem tiver de ir ao mercado pagará 20% de taxa e é quase irracional produzir em um cenário como esse. O produtor capitalizado sobrevive, mas vai diminuir o apetite para produzir”, afirma Leonardo Sologuren, da consultoria Horizon.  Os bancos devem pisar no freio no repasse de dinheiro, o que vai levar os produtores para as tradings, que também vão avaliar cada vez mais a saúde financeira do agricultor antes de liberar crédito.

“Como se vê, o cenário é de cautela, de contenção de gastos, de procura de aumento de produtividade, de racionalização de recursos, enfim, de muita prudência”, finaliza Murilo Paraíso.

Fonte: AFCP

Postado em: 14/01/2016, Por : Andrea Castro

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